Ensino Adaptativo: a vez da Inteligência Coletiva nos Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem

Em 2010, quando ainda não se falava em Ensino Adaptativo, pelo menos não era de meu conhecimento, em minha dissertação de mestrado eu já havia atentado para a necessidade de aperfeiçoamento dos Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem (LMS) no que se refere à Inteligência Coletiva Plena (ICP), ou seja, que os sistemas fossem capazes de aproveitar simultaneamente a Inteligência Coletiva Inconsciente (ICI) e Inteligência Coletiva Consciente (ICC) em prol do aprendizado.

3 tipos de inteligencia coletiva
Naquela época, disse:

“Infelizmente, os atuais sistemas de gerenciamento da aprendizagem são limitados com relação ao aproveitamento da interação reativa a favor da inteligência coletiva (inconsciente). Caso fossem adaptados para a IC, poderiam informar aos alunos, com bases nos dados coletados de todos os participantes de um curso, quais foram os conteúdos mais acessados, quais alunos mais contribuíram para o fórum (as pessoas colaboram também por glória), sugerir conteúdos (se você se interessou por esse conteúdo, pode também se interessar por esses), informar fontes adicionais de pesquisa na internet, dentre outras possibilidades.”

Os atuais Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem, como por exemplo o Moodle, possuem excelentes recursos técnicos de suporte a metodologias de aprendizado baseadas na inteligência coletiva consciente, como fórum, wiki, blog, social bookmark, bibliotecas colaborativas etc. No entanto, são extremamente pobres quando se trata do aproveitamento da inteligência coletiva produto dos rastros das interações de alunos e professores com os diversos elementos técnicos e humanos que constituem um ambiente virtual de aprendizagem.

 

declara

DECLARA: ambiente de Ensino Adaptativo

As novas plataformas de Ensino Adaptativo, como por exemplo o Declara, são tipicamente sistemas de inteligência coletiva plena, ou seja, são ambientes que se aproveitam tanto da inteligência coletiva consciente quanto inconsciente.

Em suma, o que esses novos sistemas se propõem a fazer é analisar a grande quantidade de dados (big data) gerada a partir das interações de alunos e professores na plataforma para, em diferentes contextos, retornar informações customizadas que irão ajudá-los no processo de construção do conhecimento.

A inteligência coletiva inconsciente, associada aos conceitos de learning analytics, big data e web semântica, não precisa se limitar apenas à interação tipo aluno-conteúdo,  deve, também, influenciar nas interações aluno-professor e aluno-aluno. Como esclarece a matéria publicada no Povir sobre ferramenta de Ensino Adaptativo Declara,  “Na plataforma, as ferramentas de buscas inteligentes ajudam a melhorar a interação entre usuários. No caso de ser usado por uma escola, o sistema entende, por exemplo, que um aluno com determinada dificuldade deveria conversar com um professor específico para tirar suas dúvidas.”

A emergência da inteligência coletiva em ambientes de aprendizagem on-line e híbridos depende de uma série de fatores, os quais estou mapeando e chamo de operadores pedagógicos da inteligência coletiva, que precisam estar ajustados coerentemente e não de forma concorrente. Trata-se de um intricado jogo de elementos técnicos, metodológicos e sociais.

No que se refere à dimensão técnica, as novas tecnologias de Ensino Adaptativo ampliam as possibilidades de emergência da Inteligência Coletiva, podendo ser bastante úteis em ambientes de aprendizagem que operam em escala planetária, como no caso dos atuais  MOOCs, mas serão igualmente valiosas em cursos baseados em pequenas comunidades de aprendizagem.

Veja também a matéria publicada no site Povir:  Plataforma propõe avanço ao ensino adaptativo

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