A Crise dos MOOCs?

Já havia feito um comentário em tom de crítica aos MOOCs no post “A reprodutibilidade técnica da educação on-line”, até ousado por ter sido no auge de sua glorificação.

Recentemente, uma tomada de decisão da Universidade do Estado de San José provoca um abalo sísmico no planeta MOOC e valida minhas provocações.

 

“Recente anúncio da SJSU (Universidade do Estado de San José), no Vale do Silício, coloca lenha na discussão. A universidade e a Udacity, uma das primeiras plataformas a oferecer Moocs de instituições top no mundo, resolveram dar uma pausa em um programa piloto lançado com pompas e circuntâncias pelo governador da Califórnia, por Sebastian Thrun, CEO da Udacity, e pelo presidente da SJSU, Mohammad Qayoumi, em janeiro deste ano. O motivo? Apesar do percentual de finalização do curso ter sido de 83%, número estratosférico se comparado à média dos Moocs normais, as taxas de aprovação foram muito menores do que os cursos envolvidos no projeto tinham quando eram oferecidos no formato tradicional.”

 

Para mim, é impensável falar de qualidade de ensino e aprendizagem em turmas com 30, 40, 80 mil alunos. As limitações não são apenas técnicas, dizem respeito também às dimensões social e pedagógica do ambiente de aprendizagem dos MOOCs.

A proposta do aprendizado colaborativo que deveria operar a partir de pequenos grupos formados por emergência, pelo que parece acaba sendo fortemente prejudicada nesse modelo por limitações técnicas, mas não somente isso.  O aprendizado colaborativo depende, em grande parte, daquilo que Pierre Lévy chama de engenharia do laço social, que por sua vez tem como pressuposto o acolhimento mútuo dos envolvidos, aspecto muito difícil de ser contemplado em ambientes massificados.

Apesar reconhecer as desvantagens dos MOOCs, acredito que o modelo deve avançar e se aperfeiçoar. Os problemas de agora são uma oportunidade para o aperfeiçoamento técnico, social e pedagógico da proposta.

Segue o link para a matéria publicada no Povir: Devagar com o andor, que os Moocs são de barro.

 

3 Comments

  1. Caro Eri.
    Acredito que essa “crise” se deve mais a uma abordagem equivocada da ideia dos MOOCs, que acabou voltada mais para a massificação “barata” do ensino do que uma alternativa para mitigar os verdadeiros problemas na educação, que são bem mais profundos que o simples acesso a informação.

  2. Ana, concordo com vc. Infelizmente, tudo hj em dia tudo parece ser superdimensionado e supervalorizado, apresentando-se como panaceia para a educação. Precisamos ir devagar com o santo…Um abraço.

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