JOSÉ ERIGLEIDSON: Conhecimento e Aprendizagem na Cibercultura

Elementos para uma pedagogia da inteligência coletiva

Os achados da pesquisa liderada por Anita W. Woolley [1]  são fundamentais para entendermos a inteligência coletiva -IC em grupos humanos. Em suma, o trabalho de sua equipe comprovou a existência de um fator de inteligência coletiva, o que permitiria predizer a capacidade que um grupo teria para realizar determinada tarefa. No vídeo acima, ela explica os elementos presentes em um grupo que atuam como facilitadores da inteligência coletiva, os quais resumo em seguida.  Antes disso, como Anita W. também destaca, é importante dizer que a inteligência individual não tem uma forte ligação com o fator de inteligência coletiva.

Os facilitadores da IC em grupos humanos que foram identificados por Woolley e seu time são:

1-  Sensibilidade social (relacionada à inteligência social) – capacidade dos indivíduos perceberem as emoções uns dos outros é um fator positivo para a IC;

2 – Presença feminina – mulheres tornam os grupos mais inteligentes (as mulheres tendem a ter uma inteligência social mais alta do que os homens);

3 – Comunicação – A distribuição da comunicação no grupo (inclusive não verbal) é outro aspecto que também afeta positivamente a inteligência coletiva.

A pesquisa de Anita W. Woolley pode trazer contribuições relevantes para rompermos com a pedagogia focada na inteligência individual, a qual a escola e Educação ainda não conseguiram superar neste inicio de século.

Apoiados nessas descobertas, podemos sugerir que uma pedagogia da inteligência coletiva deveria valorizar  estratégias que fomentassem a diversidade de gêneros nos grupos de trabalho, a distribuição da comunicação verbal e não verbal e a percepção e empatia (ligados à inteligência social)

 

[1] Evidence for a Collective Intelligence Factor in the Performance of Human Groups. Disponível em: http://www.wjh.harvard.edu/~cfc/Woolley2010a.pdf

Tecnologia educacional no Uruguai

Os bons resultados obtidos pelo Uruguai na implantação de tecnologia educacional apontam para a importância de um planejamento que contemple de forma integrada a tecnologia (hardawre, software, infraestrutura) e o letramento digital de professores e alunos.

Professores estão utilizando os computadores do CEIBAL nas salas de aula entre 3,5 e 4 horas semanais (de um total de 20 horas semanais). Aproximadamente 80% dos estudantes agora usam computadores para o trabalho escolar na sala de aula enquanto que por volta da metade utiliza os laptops para acessar a internet e ler livros várias vezes por semana. Oitenta e três por cento dos estudantes dizem que usam a internet para pesquisar informação, 49% usam para fazer programação e outros 44% o utilizam para escrever.

Abaixo, dicas uruguaias para o bom uso do computador da sala de aula. Para saber mais http://deo.iadb.org/2013/pt/historias/para-cerrar-brecha/

 

Notas sobre Percepção, corpo e tecnologia

Minha apresentação final para a disciplina “O perceber: sensibilidade e arte na ação educacional – impasses e perspectivas”

C@bmbio: 19 artigos sobre sociedade e internet

Capa do livro C@mbio

C@mbio, da OpenMind, é uma publicação que consta de 19 ensaios escritos que colocam em foco o impacto da internet em diversos negócios da sociedade. Dividem a coautoria nomes de peso como Manuel Castells, que assina o artigo “El impacto de internet en la sociedad: una perspectiva global”, Federico Casalegno, Thomas Malone, Yochai Benkler, Neil Selwyn entre outros.

C@mbio: 19 ensayos clave acerca de cómo Internet está cambiando nuestras vidas es ya la sexta entrega de la serie anual de BBVA dedicada a explorar y difundir conocimiento sobre las cuestiones clave de nuestra época. Este año hemos elegido como tema Internet, el agente individual de cambio más poderoso en la historia reciente. Como dijo el escritor Arthur C. Clarke: “cualquier tecnología suficientemente avanzada es indistinguible de la magia”. Y, sin duda, la profundidad y la rapidez de los cambios que Internet ha traído parecen fruto de la magia.

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Apprendre avec le numérique : un peu, beaucoup, passionnément, à la folie, pas du tout ? – Conférences 1 & 2

Olivier Lumbroso “Le numérique et les apprentissages à l’université: nouveaux chantiers, nouveaux défis”

Marcel Lebrun ” Entre savoirs distribués et apprentissage pour un monde complexe, quelles hybridations dans la formation”

Ensino Adaptativo: a vez da Inteligência Coletiva nos Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem

Em 2010, quando ainda não se falava em Ensino Adaptativo, pelo menos não era de meu conhecimento, em minha dissertação de mestrado eu já havia atentado para a necessidade de aperfeiçoamento dos Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem (LMS) no que se refere à Inteligência Coletiva Plena (ICP), ou seja, que os sistemas fossem capazes de aproveitar simultaneamente a Inteligência Coletiva Inconsciente (ICI) e Inteligência Coletiva Consciente (ICC) em prol do aprendizado.

3 tipos de inteligencia coletiva
Naquela época, disse:

“Infelizmente, os atuais sistemas de gerenciamento da aprendizagem são limitados com relação ao aproveitamento da interação reativa a favor da inteligência coletiva (inconsciente). Caso fossem adaptados para a IC, poderiam informar aos alunos, com bases nos dados coletados de todos os participantes de um curso, quais foram os conteúdos mais acessados, quais alunos mais contribuíram para o fórum (as pessoas colaboram também por glória), sugerir conteúdos (se você se interessou por esse conteúdo, pode também se interessar por esses), informar fontes adicionais de pesquisa na internet, dentre outras possibilidades.”

Os atuais Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem, como por exemplo o Moodle, possuem excelentes recursos técnicos de suporte a metodologias de aprendizado baseadas na inteligência coletiva consciente, como fórum, wiki, blog, social bookmark, bibliotecas colaborativas etc. No entanto, são extremamente pobres quando se trata do aproveitamento da inteligência coletiva produto dos rastros das interações de alunos e professores com os diversos elementos técnicos e humanos que constituem um ambiente virtual de aprendizagem.

 

declara

DECLARA: ambiente de Ensino Adaptativo

As novas plataformas de Ensino Adaptativo, como por exemplo o Declara, são tipicamente sistemas de inteligência coletiva plena, ou seja, são ambientes que se aproveitam tanto da inteligência coletiva consciente quanto inconsciente.

Em suma, o que esses novos sistemas se propõem a fazer é analisar a grande quantidade de dados (big data) gerada a partir das interações de alunos e professores na plataforma para, em diferentes contextos, retornar informações customizadas que irão ajudá-los no processo de construção do conhecimento.

A inteligência coletiva inconsciente, associada aos conceitos de learning analytics, big data e web semântica, não precisa se limitar apenas à interação tipo aluno-conteúdo,  deve, também, influenciar nas interações aluno-professor e aluno-aluno. Como esclarece a matéria publicada no Povir sobre ferramenta de Ensino Adaptativo Declara,  “Na plataforma, as ferramentas de buscas inteligentes ajudam a melhorar a interação entre usuários. No caso de ser usado por uma escola, o sistema entende, por exemplo, que um aluno com determinada dificuldade deveria conversar com um professor específico para tirar suas dúvidas.”

A emergência da inteligência coletiva em ambientes de aprendizagem on-line e híbridos depende de uma série de fatores, os quais estou mapeando e chamo de operadores pedagógicos da inteligência coletiva, que precisam estar ajustados coerentemente e não de forma concorrente. Trata-se de um intricado jogo de elementos técnicos, metodológicos e sociais.

No que se refere à dimensão técnica, as novas tecnologias de Ensino Adaptativo ampliam as possibilidades de emergência da Inteligência Coletiva, podendo ser bastante úteis em ambientes de aprendizagem que operam em escala planetária, como no caso dos atuais  MOOCs, mas serão igualmente valiosas em cursos baseados em pequenas comunidades de aprendizagem.

Veja também a matéria publicada no site Povir:  Plataforma propõe avanço ao ensino adaptativo

A vingança da Torre de Babel: Google Desenvolve Tradutor Oral de Idiomas

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Segundo a Bíblia, no início dos tempos havia somente uma língua. Porém, os homens ousaram construir uma torre para chegar aos céus: a Torre de Babel. Jeová não gostou nada da ideia e derrubou a Torre, além de ter criado diferentes idiomas como estratégia para confundir os povos espalhados pela terra, impedindo, dessa forma, tal tipo de articulação.

Milênios depois, o Google tenta fazer a reunificação dos idiomas por meio de um tradutor oral universal. Segundo a empresa, a ferramenta, que funciona em tempo real, chega perto dos 100% de perfeição para algumas combinações de idiomas em testes realizados em laboratório (com baixo ruído e ótima conexão de internet).

“Google affirme avoir obtenu des résultats quasi parfaits lors des phases de test de son traducteur vocal en temps réel. (…) .Hugo Barra vice-président du management produit Android a déclaré que les prototypes actuels permettaient un résultat quasi-“fiable à 100%” : pour certaines des combinaisons de langues, en conditions de laboratoire (sans fond sonore et par le biais d’une connexion internet optimale), deux personnes parlant des langues totalement différentes peuvent communiquer via le système.”  ( LE HUFFINGTON POST)

A Crise dos MOOCs?

Já havia feito um comentário em tom de crítica aos MOOCs no post “A reprodutibilidade técnica da educação on-line”, até ousado por ter sido no auge de sua glorificação.

Recentemente, uma tomada de decisão da Universidade do Estado de San José provoca um abalo sísmico no planeta MOOC e valida minhas provocações.

 

“Recente anúncio da SJSU (Universidade do Estado de San José), no Vale do Silício, coloca lenha na discussão. A universidade e a Udacity, uma das primeiras plataformas a oferecer Moocs de instituições top no mundo, resolveram dar uma pausa em um programa piloto lançado com pompas e circuntâncias pelo governador da Califórnia, por Sebastian Thrun, CEO da Udacity, e pelo presidente da SJSU, Mohammad Qayoumi, em janeiro deste ano. O motivo? Apesar do percentual de finalização do curso ter sido de 83%, número estratosférico se comparado à média dos Moocs normais, as taxas de aprovação foram muito menores do que os cursos envolvidos no projeto tinham quando eram oferecidos no formato tradicional.”

 

Para mim, é impensável falar de qualidade de ensino e aprendizagem em turmas com 30, 40, 80 mil alunos. As limitações não são apenas técnicas, dizem respeito também às dimensões social e pedagógica do ambiente de aprendizagem dos MOOCs.

A proposta do aprendizado colaborativo que deveria operar a partir de pequenos grupos formados por emergência, pelo que parece acaba sendo fortemente prejudicada nesse modelo por limitações técnicas, mas não somente isso.  O aprendizado colaborativo depende, em grande parte, daquilo que Pierre Lévy chama de engenharia do laço social, que por sua vez tem como pressuposto o acolhimento mútuo dos envolvidos, aspecto muito difícil de ser contemplado em ambientes massificados.

Apesar reconhecer as desvantagens dos MOOCs, acredito que o modelo deve avançar e se aperfeiçoar. Os problemas de agora são uma oportunidade para o aperfeiçoamento técnico, social e pedagógico da proposta.

Segue o link para a matéria publicada no Povir: Devagar com o andor, que os Moocs são de barro.

 

Plano Americano de Tecnologia Educacional

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The National Education Technology Plan, Transforming American Education: Learning Powered by Technology é um excelente documento elaborado pela Departamento de Educação Americano.

O projeto é uma convocação para o uso de tecnologias avançadas na educação, visando a melhoria do aprendizado. Apresenta cinco objetivos com recomendações para os estados, os distritos, o governo federal e outros interessados. Cada objetivo aborda um dos cinco componentes essenciais  do aprendizado potencializado pela tecnologia: aprendizagem, avaliação, ensino, infraestrutura e produtividade.

Interessante notar que logo no sumário executivo os americanos reconhecem o valor da educação para o país e seus cidadãos. Esse detalhe do reconhecimento da importância estratégica da educação explica muita coisa.

“Education is the key to America’s economic growth and prosperity and to our ability to compete in the global economy. It is the path to good jobs and higher earning power for Americans. It is necessary for our democracy to work. It fosters the cross-border, cross-cultural collaboration required to solve the most challenging problems of our time.”

 

Ok, glass, eu quero saber sobre…Google Glass e o aprendizado ubíquo

O Google acaba de anunciar a venda do Google Glass (Google Glass? You have to applaud their vision), seu ambicioso projeto de realidade aumentada. Por enquanto, é preciso se candidatar para conseguir os óculos ainda em fase de teste, pois somente no final de 2013 o produto estará disponível no mercado americano para o grande público.

É impressionante o poder de inovação do Google. Mais do que inovação, eu diria que se trata de superação de limites. Dessa forma, seus engenheiros modificam nossa experiência com o mundo, expandido nossos sentidos e cognição.

O potencial dessa tecnologia é quase ilimitado. Encontra utilidade no marketing, no jornalismo, na arte, na medicina etc, mas o que eu quero colocar em destaque aqui  é o poder dessa tecnologia para o aprendizado.  A meu ver, é agora que o aprendizado se tornará verdadeiramente ubíquo, pelo menos no sentido que tem sido discutido ultimamente. A bem da verdade, claro que nossa experiência com o mundo já é um aprendizado constante, ubíquo! O que as lentes informacionais (termo usado muito apropriadamente por André Lemos) fazem é ampliar enormemente as possibilidades de aprendizagem (just in time) ao acrescentar novas camadas de informação digital ao mundo físico, descortinando novas fronteiras para o aprendizado  ao longo da vida.

Como demonstrado no vídeo abaixo, o Google Glass atende pelo comando de voz “ok, glass (x)” . O x pode ser o comando para tirar uma foto, gravar um vídeo ou pedir uma informação.

 

É claro que o “X” também poderá ter função pedagógica. Ok, glass, eu quero saber mais sobre …  O “X” poderá ser uma planta, um local, uma substância numa lata de salsicha, uma personagem histórica em um monumento na rua, não importa! Tudo é uma chance para aprender.

Imaginem o potencial das lentes informacionais nas cidades do futuro próximo, com suas redes wi-fi públicas e privadas, que criam aquilo que André Lemos vai perceber como sendo “territórios informacionais” (Ver Mídia Locativa e Territórios Informacionais). Sim, precisamos pensar os territórios informacionais como novos espaços educacionais.

“Por territórios informacionais compreendemos áreas de controle do fluxo informacional digital em uma zona de intersecção entre o ciberespaço e o espaço urbano. O acesso e o controle informacional realizam-se a partir de dispositivos móveis e redes sem fio. O território informacional não é o ciberespaço, mas o espaço movente, híbrido, formado pela relação entre o espaço eletrônico e o espaço físico. Por exemplo, o lugar de acesso sem fio em um parque por redes Wi-Fi é um território informacional, distinto do espaço físico parque e do espaço eletrônico internet. Ao acessar a internet por essa rede wi-fi, o usuário está em um território informacional imbricado no território físico (e político,cultura, imaginário, etc.) do parque, e no espaço das redes telemáticas.” (Lemos)

As lentes informacionais têm o potencial para nos tornar mais inteligentes, uma vez que irá nos proporcionar novas sinapses com o cérebro global. Ou seja, ampliará nossas possibilidades de aprender e tomar decisões com base na inteligência distribuída.